domingo, abril 24, 2011

Cotidiano

Silêncio. Acordou e olhou para os lados. Estava só. Mais uma vez. Levantou-se, despiu-se, banhou-se, vestiu-se e fez o almoço. Eram duas da tarde de um domingo, dia dedicado aos almoços de família ou aos solitários.
Tomou uma dose de coragem e saiu de casa, em direção a rua, buscando o que fazer para preencher as horas entre o ócio e a segunda feira, dia de retorno ao trabalho. Caminhava pelas ruas do centro da cidade, que estavam vazias, numa clara oposição aos dias da semana, quando estão abarrotadas, pessoas no frenético ritmo diário, imposto pela vida moderna.
As ruas vazias são um convite a observação e ele pode sentir a cidade, seus cheiros, sons, gosto. A cidade se descortinava, e era um lugar novo, pronto para ser descoberto, redescoberto.
Em seus muitos anos de vida ele sempre fez o mesmo roteiro, mas sempre parecia a primeira vez. Atentamente, observou as construções, ricas em detalhes. Gastou um longo tempo reparando suas cores, desenhos e sombras. Lamentou a miséria, sentiu pelas pessoas que viviam nas ruas, sem nenhuma perspectiva. E nesse quesito os via como iguais. Olhou o relógio.
Volta para casa. Abre a porta. Entra e senta no sofá. Sozinho outra vez. Liga a televisão para gastar os últimos minutos do domingo. Nem percebe quando os olhos se fecham, dando lugar a uma nova realidade, onde, cercado de amigos, aproveita algo tão raro: a companhia de velhos conhecidos.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Sobre a vida

e ele completou 50 anos. Na mesa do restaurante contemplou os amigos feitos ao longo de sua vida.... meio século pensava... olhou para o lado e viu a esposa, 25 anos juntos e mesmo assim, cercado de amigos e da mulher se sentiu sozinho. Gostaria de tê-la ao seu lado.
Prestes a completar 50 anos de idade se apaixonou novamente. E não foi por sua companheira de 25 anos. Foi por outra mulher. Uma menina comparada a ele. 25 anos era a sua idade. Se era correspondido? Não sabia, mas percebia no olhar dela o quanto sua companhia era, no mínimo, interessante.
Um homem de 50 anos. 2 filhos. Carreira constituída, sólida. Mulher ainda apaixonada. Planos, coisas a realizar. E incrivelmente apaixonado por uma menina. Dúvidas que não mais deveria ter. E mesmo assim sofria.
As semanas anteriores ao seu aniversário foram maravilhosas. Amigos ligando para saber como seria a comemoração do aniversário. Filhos animados com a chance de ver o pai bêbado. Mulher ansiosa com a festa e ele... ele só pensava se valia a pena largar tudo em nome de uma paixonite, algo que só sente quando adolescente, mas que ele julgava estar sentindo. Na sua cabeça um só nome, o nome dela.... sua imagem, seu sorriso, seu olhar....
Idiota, os amigos o chamavam.... ela é nova demais para você.... não vale a pena largar o que você tem.... ela vai te usar e te largar.... você é apenas uma distração, nada demais..... e essas frases povoavam sua cabeça e ele nada fazia... pensava.
Olhava para trás.... lembrava do tempo que passara com ela.. sim, ela alimentou seus sonhos de ficarem juntos, muito embora ele julgasse algo impossível.... sentia saudades dela... ciúmes dela... sabia que ela tinha outras pessoas, outras bocas. Mas ainda acreditava que com ele era algo especial. Vã ilusão.
Olhou em volta. Amigos, mulher, filhos. Bolo de aniversário, mesa repleta de garrafas de cerveja. Pratos vazios. Sua mulher sorria em sua direção. Não sabia o que fazer. Agonia, peito apertado. Fechava os olhos e lembrava dela, a rainha das incertezas. Nunca havia conversado com ela a respeito disso tudo, do que sentia. Para ela poderia ser apenas diversão, para ele, uma deliciosa possibilidade.
Cantou parabéns, abraçou os amigos, beijou os filhos e a mulher. Fechou os olhos, fez um pedido.... abriu os olhos sabendo que nada havia mudado. Mais alguns apertos de mãos, abraços.... sorriu por ter os amigos por perto. Esperou mais um pouco, respirou fundo e olhou a sua volta, na expectativa de vê-la.... nada aconteceu.
Foi para casa, bêbado, deitou em sua cama e esperou sonhar com ela, pois pelo menos ali, em seus delírios, era possível estarem juntos....

quarta-feira, julho 21, 2010

Diálogo entre um adolescente e um sábio chinês

Tarde de domingo e o adolescente caminha pela Quinta da Boa Vista, pensando na namorada, que agora é uma ex, a sua primeira ex. Inconsolável, ele se aproxima de uma árvore, onde um senhor de olhos puxados joga damas contra ele mesmo. O jovem se aproxima, reconhece aquele senhor, pois sempre o vira sentado ali, e inicia um assunto, que mais parecia um monólogo.
Desfilou uma enorme lista de problemas, falou e falou e o velhinho se limitava a empurrar as pedras pelo tabuleiro. Quando o jovem perguntou....
- Senhor, você acha que eu falei demais, que eu não deixava ela falar sobre a gente e acabei dizendo besteiras?
- Existem coisas que após feitas não podem ser refeitas como a flecha lançada e a palavra dita.
- Mas senhor, todos na minha família eram contra nossa namoro!
- Sem a oposição do vento, a pipa não alcança os céus.
- Oposição do vento? O problema também era o Cláudio! Ele vivia dando em cima dela!
- Dois tigres não podem ocupar a mesma montanha.
- Tigres? Ah? Outra coisa, existiam outros problemas.... eu a amava mais sei lá....
- Por maior que seja a montanha ela é incapaz de tapar o sol.
- Que montanha senhor? Onde estás vendo uma montanha? E tem mais... ela dizia que eu falava muito de mim, que sempre me colocava na frente de tudo e dela também... mas era exagero dela!
- Devemos ser humildes como o pó.
- Caramba! Acho que o senhor caducou de vez! Também, fica o dia inteiro aí, sem falar com ninguém e jogando contra você mesmo! Deve estar maluco mesmo.
- Se as suas palavras não podem ser melhores que o silêncio, mantenha o silêncio.
O velhinho fechou o tabuleiro, e se levantou. O jovem, mais confuso do que já estava, colocou as mãos na cabeça, num ato de desespero, sem saber o que fazer. O velhinho olhou para ele uma última vez e disse:
- O futuro é um mistério, o passado já passou e o agora é uma dádiva, por isso que se chama presente.
Dito isso, caminhou tranquilamente em direção ao sol poente e nunca mais sentou a sombra daquela árvore, onde o jovem ficou até entender tudo o que foi dito.

terça-feira, abril 06, 2010

O dia em que uma árvore estacionou sobre meu carro

Estou em casa. Deveria estar em Caxias dando aulas para uma turma de segundo ano, mas tenho certeza de que eles não estão sentindo a minha falta como sinto a deles. Afinal era melhor estar lá do que aqui contemplando a árvore sobre meu carro.
Rio de Janeiro, 5 de abril.... 18 horas... São Pedro anuncia que castigará a cidade com um temporal. Rio de Janeiro, 6 de abril.... 10:30.... a chuva parou. Como será que está a cidade agora? Leio que o número de desabamentos e pessoas sem casas é enorme. Realmente, a cidade não está nem perto de estar preparada para momentos como esse.
Bem, voltando ao meu início de dia.... o telefone toca, 6:21 da manhã. Do outro lado da linha Camila, dizendo que uma árvore tinha caído no carro! Para que eu desse uma olhada e se fosse possível, tirar o carro do lugar e depois levá-la ao trabalho. Bobinha.... Depois desse choque inicial, visto qualquer coisa e desço para ver o estrago.
Ao chegar percebo que o que caiu foi a copa da árvore. O tronco ficou preso em outro carro. Desço a rua para avisar para a Camila que a carona não vai rolar... mas ela já tinha ido. Me resta ligar para a defesa civil. Pensando bem, ligo depois. Uma árvore em cima de um carro não tem a menor importância se comparado a desabamentos e coisas assim. Deixo para depois. Venho para casa. No caminho um tombo básico só para quebrar o celular. Delícia! Afinal, o que é um peido para quem está cagado?
Chego em casa mais molhado que um peixe e, após me secar, leio o contrato do seguro do carro. Acompanhe comigo: Coberturda do seguro. blablabla. Situações não cobertas pelo seguro: Acidentes e/ou desastres naturais. Resumo da parada: me fu. Mas convenhamos... quem vai adivinhar que uma árvore vai cair no seu carro??? Ninguém!
Penso em quem processar.... a prefeitura, por não ter feito a poda? Fundação Parques e Jardins? A mão natureza? Melhor não, posso abrir um precedente e ela pode nos processar. Hum... pensando bem, ela já passou da fase do processo, estamos todos cumprindo pena.....

quinta-feira, abril 01, 2010

Muito tempo....

estava dando uma olhada por aqui e vi que não escrevia desde novembro de 2009.... muito tempo sem postar umas singelas linhas por aqui..... e o engraçado é que algumas pessoas me falaram que sentiam falta dos escritos desse blog... vá saber, vá entender...
Estive pensando sobre o que escrever e a única coisa que me veio a cabeça foi falar do Pedro II... afinal, comecei a dar aulas por lá e estou super realizado...
Realizado primeiramente por ser ex-aluno... segundo por encontrar uma equipe maneira pacas e terceiro por ter o imenso prazer de entrar em sala e ver aqueles alunos todos me olhando e levando no lado esquerdo do peito o emblema que sempre me encheu de orgulho...
Bem, se você que está lendo não for ex-aluno acho que não encontrará nada de interessante nas próximas linhas.... do contrário espero que se identifique.
Ao entrar no colégio me lembrei dos primeiros dias de aula, nos idos de 1987.... eu, um menininho de 6 anos, cabelos penteados para o lado, dentuço e magrelo entrando no colégio. Lembro-me de quando me agarrei no corrimão da escada e chorava, dizendo que não queria entrar... e o tio Ruy me dizendo: "Vamos Leonardo, vamos..." enquanto me puxava pelo braço. O primeiro contato não foi dos melhores....
Os anos foram se passando e várias foram as vezes que debrucei-me na grade que separava o pedrinho do pedrão e pensava no dia em que eu estaria do outro lado. Esse dia chegou.
Medo, apreensão.... os primeiros sentimentos.... assombro. O tamanho do colégio, a liberdade de ir e vir sozinho de ônibus... soma-se a isso as fugas dos pivetes e momentos de tensão no 239... novos professores, muito mais numerosos.... lembro de alguns que me marcaram tanto positivamente quanto negativamente, mas a ética me impede de citar nomes pois ainda estão por lá....hehehehe
As meninas que hoje são mulheres.... descobertas.... desejos.... adolescência né? Super normal. Timidez, gordinho, óculos e aparelho, instrumentos do fracasso... ah, quase me esqueci do cabelinho partido ao meio... nossa senhora... achava que nunca ficaria com ninguém, que deveria virar padre.... ainda bem que desisti disso.
O diretor anuncia obras. Teremos que nos mudar. Meu destino foi a unidade centro. Muitas mudanças... a primeira foi o comportamento. Os alunos do centro eram muito diferentes dos da tijuca. Mais descolados, camisas para fora, partidas de sueca, aulas que ninguém assistia, beijos roubados nos corredores... muito bom aquilo tudo.
Terceiro ano momento de decisão e uma grande greve. Três meses sem aula e coloquei nesses meses a culpa por não ter passado no vestibular para história... história? se perguntava a minha professora do terceiro ano... ela olhava minhas notas e dizia: "Você nunca tirou mais de 5 numa prova minha. Você quer fazer faculdade disso?" E eu respondia que os meus amigos tiravam 9, 10 e tinham aulas comigo e não com ela....hehehehe saudades da Verinha....
Acabou o colégio. Festa, formatura, abraços, despedidas, choro e promessas de que nunca perderemos contato. Mas a vida deu suas voltas e hoje, dos quase 400 alunos daquele terceiro ano, eu vejo uns 5.... e olhe lá....
Mas ficaram as lembranças, as fotos, as vozes, os sorrisos, os abraços.... saudades de um tempo lindo, maravilhoso que hoje vejo do outro lado, ao entrar em sala e olhar para aqueles meninos cheios de ideias e sonhos, iguais a mim, porém separados pelo tempo e nada mais...

quinta-feira, novembro 05, 2009

É ela quem manda em minha vida, sem dúvida!

Aos 28 anos de idade finalmente descobri quem realmente manda na minha vida e é capaz de me fazer mudar radicalmente. Aos que imaginaram uma mulher, digo que erraram. Quem manda na minha vida é a minha gastrite.
Nas últimas semanas tenho sofrido com dores absurdas no estômago... dores que me fazem acordar no meio da noite e não mais conseguir dormir... dores que me fazem transpirar e ao mesmo tempo ficar com as mãos tão gélidas quanto as de um defunto.... dores que me fazem parar a aula no meio.... enfim, dores.
Fui ao médico. (isso para mim não é algo lógico). Ele me receitou uma medicação imaginando que eu tenha desenvolvido uma gastrite nervosa (fim de ano escolar é foda!). Além disso, me passou uma bateria de exames e me fez diversas recomendações, do tipo: não pode beber nada alcoólico, nada com cafeína (meu fim, pois estou sem beber mate!!!), nada de frituras e por fim, não posso me irritar. Até parece piada.
Impossível cumprir a última parte. Primeiro de tudo, sou botafoguense. Preciso explicar? Outra coisa, dou aula para adolescentes (seres complicados.....) e ainda por cima trabalho com pré vestibular... e o cara vem me dizer que não posso me irritar.. sei....
Depois de todas essas recomendações e das noites sem dormir por conta da dor, resolvir seguir a risca tudo que ele me disse. (mentira, só escrevi isso para tentar me enganar). Mas como diria o sábio da montanha, temos que estar preparados para o inesperado... e nessa me ferrei.
Só para dar um exemplo de como é impossível não me irritar. No sábado acordei cedo para tirar sangue no laboratório... exames de rotina. A enfermeira errou a minha veia e ficou brincando de gato e rato com ela. Enquanto isso eu urrava de dor. Feito isso fui para o Extra e comprei um aparelho de som para o carro. Instalação grátis = 6 horas esperando. E para finalizar o dia, fui na cobal comer uma pizza (light!!!) e quando volto, roubaram o meu estepe. Resultado disso? Dores o domingo inteiro....

e ele disse que não posso me irritar.....

quarta-feira, agosto 05, 2009

Novos lugares a serem explorados.... (Para ti Gabiruba)

Primeiramente peço desculpas aos meus poucos leitores mas escreverei sobre um tema que não queria, na verdade, achei que fosse ficar sem escrever sobre esse tipo de assunto por um bom tempo, mas o destino me trouxe aqui mais uma vez.
Hoje, dia 5 de agosto de 2009 foi encontrado o corpo de meu amigo Gabriel Buchmann.
Ao ler a notícia no jornal fui tomado por um sentimento impossível de descrever. Uma mistura de dor, tristeza, saudade..... e o mais forte foi este último.
A última vez que o vi foi numa festa na lapa... ele se preparava para fazer a tal viagem pela África e Ásia e como de hábito nos convidou. Isso era engraçado nele. "Brother, daqui a três dias vou dar um rolé na África e Ásia, vamos juntos?". Rio ao lembrar. Viajar era algo tão comum para ele que não fazia muita diferença se íamos à São Pedro da Serra ou para outro continente. Era sempre perto.
O Gabriel entrou em minha vida pelas portas da Uff, no curso de história, e nunca mais saiu nem sairá. Um gênio, um cara que nasceu com uma inteligência privilegiada e sabia usar os miolos. Ele se revezava entre o curso de história e o de economia na Puc. Ele acabou ficando na economia. As vezes acho que ele entrou na Uff só para conhecer a gente e nos deixar conhecê-lo.
Eu tenho o prazer de falar sobre ele nas minhas aulas e os meus alunos o conhecem, como "aquele amigo maluco do Léo, aquele que viaja o mundo tudo". Uma vez comentei com ele que sempre o mencionava nas minhas aulas e ele disse: "Poxa Léo, que maneiro! Você fala mesmo de mim nas suas aulas?" Eu respondi que sim, sempre e ele ficou muito feliz com isso. Que figura.
Cara, são inúmeras as histórias vividas com ele e eu poderia escrever diversas linhas sobre isso, mas não. Hoje serei egoísta aqui e vou me dar o direito de trocar isso com amigos em comum, numa mesa de bar, onde lamentaremos sua ausência.
As vezes me pego pensando em como podemos mudar o mundo e avalio meu papel nisso. Conclui que como professor eu posso fazer a diferença ao orientar os meus alunos e mostrar a eles que é possível um mundo melhor. O Gabriel estava caminhando no sentido de FAZER um mundo melhor, pois com certeza ele voltaria dessa viagem e dirigiria todos os seus esforços nesse sentido. Era capaz disso.
Meu querido, deixo um beijo para ti. Você, como mochileiro que és, decidiu chegar antes de nós no novo mundo, no reino dos céus. Prepare o lugar para gente, desbrave, conheça tudo, para que quando chegarmos junto a ti, nos oriente pelos melhores caminhos, enquanto tomamos uma cerveja.
Saudades.

sábado, julho 04, 2009

O mundo amanheceu mais triste

O que vou escrever agora não é nenhuma história engraçada ou um desabafo sobre alguma situação... é apenas um lamento, uma forma de tentar amenizar, diminuir a dor no meu peito.
Ontem o mundo perdeu uma pessoa sensacional, um cara que sabia levar a vida com humor, carinho, respeito, atitude e responsabilidade. Um cara que amava a vida, o viver e as pessoas a sua volta. Um cara que sabia que através de um sorriso ou de um abraço conseguia nos contagiar, tornando nossas vidas melhores, mais alegres.
Recebi a triste notícia de sua partida pela voz de um dos caras que mais sentiu e sentirá a sua ausência, parecia que ele falava o que tinha acontecido com um duplo objetivo, o de me levar a notícia e ao mesmo tempo acreditar no que estava dizendo.
Em pouco tempo os amigos já sabiam do ocorrido e todos ficamos meio que paralisados, sem saber o que fazer, para onde ir nem o que pensar. Decidimos todos nos encontrar, sem saber exatamente por que, mas achávamos que juntos poderíamos dividir a dor e assim reduzi-la. Queríamos o impossível.
Hoje foi seguramente um dos mais tristes dias de minha vida. Nunca havia enterrado um amigo. Já perdi pai, avó, avô.... mas nunca um amigo como o que perdi ontem e confesso não querer perder mais ninguém. Mas isso é impossível, faz parte do viver.
Hoje no enterro dezenas de pessoas se encontraram e nos despedimos de um amigo que ainda viverá por muito tempo em nossos corações, pois uma pessoa só deixa de existir quando ninguém mais lembra dela e isso seguramente não acontecerá com ele. De hoje em diante vou tentar apagar a última imagem que tive dele e ficar com os inúmeros momentos agradáveis que compartilhamos... viagens, shows, idas a Uff, festas, bares, lapa.... E durante o enterro o mundo parecia perceber o que perdia e demonstrou isso com uma suave, quase imperceptível chuva. Sentiremos demais sua falta....
Enfim, tudo o que foi escrito acima, por mais que eu tenha tentado, não fará justiça a pessoa maravilhosa que foi o Sanguim e mesmo não sendo o seu amigo mais próximo, espero que tenha percebido o quanto em gostava de ti.....
Meu querido, desculpe-me pelas palavras confusas neste texto confuso, mas foram as palavras que consegui reunir neste momento tão difícil.... siga em paz.

quinta-feira, maio 28, 2009

É cada coisa que acontece....

as vezes me pergunto por que nós somos colocados em certas situações e rapidamente concluo que, se Deus existe, ele é um grande fanfarrão.
No último mês estive me submetendo ao processo de avaliação para ser professor contratado do Pedro II, pois acredito que é uma das formas de tentar, com mais sucesso, uma vaga como concursado... mas essa história eu conto depois.
Primeira fase: avaliação de currículo
Segunda fase: uma redação (sobre o que? ninguém sabia....)
Terceira fase: entrevistas (perfil do candidato e perfil profissional)
O grande barato foi a terceira fase.... cristo.... posso resumir em duas palavras: dinâmica de grupo.
Eu sempre fugi destes processos e olha que já tive alguns empregos anteriores, como mac escravo, officeboy, garçom e outros, mas nunca me submeti a isso. Mas pelo CPII vale. Não vou ficar aqui descrevendo como foi o processo e vou me ater a uma coisa bem simples: tentar entender se a dinâmica realmente revela quem somos ou nos obriga a criar uma personagem.
Creio que a idéia da dinâmica envolva maneiras de fazer com que os candidatos se mostrem, apresentem suas falhas e qualidades e o avaliador faz então uma análise para saber se o candidato está ou não apto a assumir a função. Mas, sinceramente, não acho que funcione.
As pessoas reunidas ali almejam a mesma coisa: o emprego. E por conta disso olha para as outras pessoas com um certo receio, uma vez que disputam o mesmo cargo e aí me questiono: qual o interesse em ajudar uns aos outros? Como será a avaliação do processo? Dará mais valor ao que conseguiu ajuda e terminou a tarefa, mostrando suas qualidades, ou valorizará aquele que se sacrificou em nome do colega? Vá saber...
O que sei é que as pessoas que lá estavam interpretaram personagens..... tenho lá minhas dúvidas sobre a sinceridade das pessoas, colocadas umas contra as outras e com um avaliador olhando.... na moral, uma espécie de BBB.
Não sei.... relendo o que escrevi parece que soa um pouco capitalista demais....somos animais numa jaula disputando o emprego.... ou qualquer outra coisa.... será que perdi o romantismo? Aquela leveza ao olhar o mundo?

segunda-feira, abril 13, 2009

Não maltrate os fãs....

Há algumas postagens atrás eu deixei aqui um relato do que foi, na minha modesta opinião, o último show do Los.... fui na Fundição Progresso e comprei o dvd do show. Foda. Não encontro outras palavras na língua portuguesa (mesmo depois da revisão ortográfica :) ) que descreva o show com tanta propriedade. Mas o que veio depois.....

Marcelo Camelo seguiu logo sua já anunciada carreira solo.... depois de um tempo lançou um álbum solo com o apoio de uma banda. Compre o cd. Ouvi, ouvi e ouvi.... identifiquei umas 4 músicas boas além da já conhecida Liberdade. De resto, um cd com músicas arrastadas...

Logo depois de comprar o cd vejo uma pintura nas paredes do Circo Voador: "Show do Marcelo Camelo". Não pensei duas vezes, comprei o ingresso e fui ao show. Puta que pariu.

A expectativa era enorme.... o cd tinha bons momentos.... e havia a esperança dele cantar alguma coisa do Los.... na boa, um dos piores shows que fui na vida... e olha que eu frequentava o Garage... O cara se meteu num experimentalismo brabo.... eu classifiquei de "Selva Musical". O cara se achando o máximo, uma meia dúzia de manés aplaudindo.... o resto do público estava constrangido. No final, vimos o Amarante no backstage.... rezamos para que ele entrasse no palco... nada. Na hora de ir embora o Camelo toca uma música do Los, mas quem canta é o público. Fui embora me achando um otário.

Amarante se junta com o batera brasuca do Strokes. Pensei: "Vai dar certo!" Desculpe. Ouvi mas não gostei. E fico por aqui.

Show do Radiohead. Boatos davam conta que o Los iria abrir. Pensei: "Tomara que não. Quero ficar com a imagem do último show na cabeça". Confirmado. Abertura do Los. Fiquei naquela... ir ou não..... os amigos ligando, propaganda..... ponto. Vou sim, paguei o valor exorbitante e fui. Foda-se Radiohead e Kraftwerk. Vou ver o Los.

Outro erro.

Os caras pareciam que não estavam nem aí para o público que foi para vê-los..... tocaram sem tesão, como se o fizessem por obrigação.... saca? O som baixo, repertório ruim.... de bom só a "inédita" Cher Antoine... pois de resto..... um lixo... e a cerveja a cinco reais... e me perguntei: "E se chover demais? Vou para casa."

sábado, janeiro 17, 2009

Perdido em Minas....

Janeiro é o mês de férias dos professores e aproveitei para passar um tempo viajando pelo interior de Minas Gerais (é claro que essa viagem tem fundo histórico, óbvio). O roteiro inicial era Tiradentes-Ibitipoca-São Tomé das Letras. É claro que deu errado!
Eu não descobri nenhum camping em Tiradentes e as pousadas são proibitivas.... ainda não ganho para isso... e com a proximidade do festival de cinema na cidade, tudo ficou mais caro. Por conta disso optei por ficar numa cidade próxima, chamada São João del Rey, que segundo apurei, tem camping.
A viagem trancorreu sem problemas e em quatro horas cheguei em São João. Comecei a procurar o camping e me deparei com um velho problema dos mineiros.... a distância... tudo para eles é pertin, pertin... o que equivale ao nosso "longe pra caralho". Assim, após muito perguntar (eu evolui enquando ser humano e não tenho vergonha de perguntar as coisas) cheguei no tal camping.... puta que pariu.
Para começar, não tinha ninguém, e quando digo niguém me refiro a pessoas acampadas, alguém para mostrar o camping... enfim. Depois de um bom tempo procurando alguém, vi um carro chegando e achei que era o responsável pelo camping. Mera ilusão. O cara me perguntou se ali era possível comprar muda de eucalipto.... as coisas só pioram. Depois de mais algum tempo encontrei com o responsável pelo camping que me recomendou ficar no albergue... é mole? O cara boicota o próprio empreendimento!!!! Vá entender....
Acabei optando pelo albergue.... e foi uma ótima escolha, embora tivesse que dividir o quarto com um alemão que tinha um chulé brabo. Pelo menos não roncava....
Mas o melhor da cidade estava reservado para as saídas noturnas.... a cidade tem três bons bares e um mundo de biroscas.... e uma boate só! Nem me arrisquei a entrar, mas isso não me poupou de ser assediado por um gay.... o figura se aproxima, se apresenta "Prazer, Benedito" (nunca conheci um gay com um nome assim!!! Poderia ser John, Mark, Mauro, sei lá, mas Benedito? Será o Benedito?) e me pergunta: "Qual a sua? Eu curto homem e mulher e você?". A única resposta que me veio a cabeça foi: "Sou hétero". Depois dessa resposta ele me vira e diz: "Beleza então, mas saiba que você parece uma pessoa interessante, tchau". Puta que pariu.... vim do Rio para isso.... e para terminar a noite, fui parado pela polícia.... ah São João!

terça-feira, outubro 21, 2008

Descanso....

Acordei na segunda-feira com uma dor miserável na garganta, fruto de um sábado onde trabalhei mais do que devia. Embora tenha passado o domingo mudo, não consegui me recuperar para iniciar a semana. Parabéns Leonardo.... ganha um dinheiro no sábado e o perde na segunda...
Confesso que até tentei. Entrei em sala na segunda de manhã, dei algumas aulas, mas o corpo não respondia à cabeça e joguei a toalha. Chamem um substituto para as aulas da tarde. Coitado dele, aulas para turmas de fundamental.... enfim, cada um com o seu fardo.
Segunda pela tarde fiquei em casa... tirei um cochilo maravilhoso, vi filmes, jantei bem, tudo o que não faço normalmente. Secretamente desejei continuar doente. Na terça também não fui trabalhar e me dei o luxo de acordar tarde. Que maravilha! Acho que todo mundo deveria ter o DIREITO de faltar ao trabalho uma vez por mês e não ser descontado por conta disso! É saudável, faz um enorme bem para a alma.
Decidi dar um tempo no ócio e fui ao banco pagar umas contas (o engraçado é que os bancos estão em greve e na moral, isso não muda em nada a minha vida... coitado dos bancários, que por mim podem ficar em greve o resto da vida), comprar umas coisas no supermercado, dar um pulinho na farmácia.... essas coisas domésticas (afinal estou morando só e em breve escreverei sobre isso).
E foi nessa minha pequena incursão pelas ruas do bairro onde moro que vi uma cena que antes achava ser impossível de acontecer!! Da mesma forma que nunca soube de nenhum enterro de anão (pois eles quando morrem endurecem e vão para o jardim) e nem nunca vi um mendigo careca, eu vi travestis andando na rua de dia!!! Na moral, eu nunca tinha visto travestis pela manhã! Pode parecer inocência minha, mas fiquei espantado, pois sempre achei que os travestis só saíssem de casa a noite.
Confesso que já me peguei pensando o que os travestis fazem quando não estão nas calçadas ou se apresentando... tipo, coisas comuns como ir ao supermercado ou a banca de jornal... mas como nunca tinha encontrado um, achei que isso era impossível. Mas não é. Ai ai.... isso que dá morar na Lapa....

domingo, junho 22, 2008

Fragmentos

acho que acordei mas não quero abrir os olhos. Permaneço com a dúvida. Adormeço. Acordo e abro os olhos. A claridade me incomoda e fecho os olhos novamente até me acostumar. Minha cabeça dói e tento me lembrar o motivo disso. Meus dedos fedem a cigarro barato. A boca está seca... os lábios colam um no outro. Abro os olhos e vejo que estou em casa e sozinho. Melhor assim. Menos explicações.
Tento me levantar e tudo gira. E como gira. A dor de cabeça é acompanhada por um enjôo. Caio. Tento fica em pé novamente. Uso a mesinha como apoio e torço para ela não escorregar no piso frio. Estou nu. As roupas emboladas no chão demonstram alguma pressa em me livrar delas. As pego, cheiro minha camisa. Cigarro e bebida. A noite desse ter sido longa.
Caminho para o chuveiro. Acendo o fogo e preparo um chá. Separo o analgésico e algo para o estômago. Entro no banho e deixo a água cair. Foda-se a economia de água. Bebo a água do chuveiro. Um, dois, doze, quinze goles. Me sacio.
Saio do chuveiro. Me enrolo na toalha. Descalço, pego o chá. Carqueja. Caminho para a sala. Olho o jornal. Leio sem querer ler. Não quero saber de nada.
Deito no sofá. O celular toca. Do outro lado perguntam se estou bem. Balbucio qualquer coisa. A pessoa do outro lado diz que está vindo e trará um engov. Desligo essa merda. O som dele me dói a cabeça.
Deitado no sofá repasso os compromissos do dia. Não quero fazer nada disso. Fecho os olhos e tento lembrar da noite anterior. Amnésia alcoólica é uma merda.
Casa. Festa. Pessoas que não conheço. Bebida. Música. Velas espalhadas pela casa. Vai dar merda, penso. Mais bebida. Cigarros. Hoje não tem maconha. Melhor assim. Mais pessoas. Papos chatos. Varanda. Outra pessoa. Conversas. Sobre tudo e o nada. Troca de olhares. Boca. Cabelo. Mãos. Carícias. Mãos. Braços. Bocas. Corpos. Bocas. Cabelos. Força. Carinho. Despedida.
Entro no carro. Cuidado na hora de sair. Sem batidas. Sem documento. Sem confusão. Preciso comer. Lapa. Qualquer besteira. Carro. Casa. Garagem. Porteiro diz algo sobre beber e dirigir. Casa. Roupa. Cama.
Acho que foi isso. Espero que tenha sido. Sem nomes, sem lugares, sem compromissos. Logo, sem arrependimento.

quinta-feira, maio 22, 2008

Teremos jeito?

As vezes me pergunto se o Brasil teria jeito e quando digo isso penso na corrupção, na falta de educação, má distribuiição de renda... enfim, esses males que nos cercam.
Na manhã de quarta feira eu fui chamado em um dos colégios que trabalho para substituir um colega que tivera um problema. Até aí tudo normal.
Saí de casa mais cedo do que o comum e enfrentei um engarrafamento violento e aí começaram os meus problemas....
Estava naquele ritmo: primeira marcha, segunda e freio.... primeira marcha, segunda e freio novamente... ou seja, uma merda. De repente consegui engatar uma terceira e no meu afã de querer chegar logo acelerei mais..... o trânsito parou e fui obrigado a frear bruscamente. Até aí tudo normal, até que escutei um barulho na minha traseira: uma moto bateu em mim.
Abri a janela e procurei entender o que tinha acontecido e logo percebi um motoqueiro no chão e sua acompanhante também.... e ela levava a mão ao joelho. Quando pensei em sair do carro e ver o que tinha acontecido, o motoqueiro colocou sua mulher na moto e saíram correndo, evitando um possível problema, pois eles tinham amassado a lataria do carro. Merda.
Procurei esquecer e fui trabalhar. Na tarde desse mesmo dia fui num desses "Rei dos Amassados" com o intuito de consertar a lataria e me surpreendi com a figura que me atendeu. Tratava-se de um cara novo, coberto de peças de ouro e jeito de malandro. "E aí doutor? Como posso te ajudar?" Estranhando uma aproximação como essa, respondi: "Um motoqueiro deixou um joelho na minha lataria... queria fazer um orçamento. Quanto você me cobraria para consertar isso?"
Confesso que esperei um valor absurdo. E ele disse: "É um lance complicado, foi num lugar difícil... (já repararam que ninguém diz que o trabalho é mole, tranquilo... tudo é sempre muito difícil.....) vai ficar em 250 reais." Achei caro, mas dentro do que imaginava, mas mesmo assim contei aquela história triste... "Poxa, esse é o seu preço final? Sou professor, sabe como é...." E ele emendou assim: "Bem, posso fazer por 200 e você paga em duas vezes no cartão." "Ótimo, respondi.... mas vou pagar à vista mesmo."
Achei que estava tudo resolvido, quando o "malandro" se aproximou novamente. "Leonardo né? Bem, sabe como é.... amanhã é feriado..... enfim, podemos fazer um negócio. Vou te cobrar 110 reais e você me arruma 50 pratas por fora... pode ser?"
Nesse momento eu pensei em tudo que pregamos em sala de aula.... a manutenção da honestidade, a defesa dos valores, combate à corrupção..... e disse: "Combinado!"
Caro leitor, ficou surpreso com a minha resposta? Mas ela tem um motivo bem simples. Imagine que eu diga não ao cara, que eu prefiro pagar duzentos mesmo, que é o certo a se fazer e coisa e tal.... eu correria diversos riscos! Primeiro, se eu não pago o "por fora" eu correria o risco do cafa fazer um serviço de merda e ainda por cima ele poderia demorar a me entregar o carro! É mole? Sou "obrigado" a aceitar a corrupção sob pena de me lascar!
É impressionante..... nos tornamos reféns de um sistema viciado que deixa pouca margem para escapar disso. Lamentável...... e outra coisa... por que ele não pode cobrar os mesmos 110 reais sem levar nada por isso? Ah meu Brasil....

quarta-feira, abril 02, 2008

E ninguém me avisou

Em 2008 eu completei 27 e me aproximei da fantasmagórica casa dos trinta mas esse é o menor dos problemas. A vida de um jovem adulto ficou para trás e o mundo ganha a cada dia novos contornos, goste ou não deles.
Ter 27 anos é algo maravilhoso e ao mesmo tempo perturbador pois nós temos que tomar diversas decisões e muitas vezes não me sinto preparado para isso. O tempo passa cada vez mais rápido e a sociedade (querendo ou não) se encarrega de nos colocar na parede a todo instante.
Embora ainda viva na casa da mamãe (grande dona Maria Alice) já me sinto inundado com tantos compromissos, pricipalmente profissionais. Caralho! Ter que trabalhar é uma merda... a vida antes disso era muito mais simples...
Tenho gasto os meus últimos fins de semana atolado entre feituras de provas, correções, preparação de aula, material para aulas temáticas.... isso parece não ter fim. Quando converso com outros amigos que passaram por isso eles apenas me olham e dizem: Ih Léo.... vai ficar pior.
Como assim "ficar pior"?? Na boa, falta tempo para tudo! (eu nem deveria estar escrevendo no Blog.... eu tinha era que corrigir provas.... Ao inferno com as provas!!!!)
Mas eles têm razão... quando eu sair de casa as minhas tarefas aumentarão... terei que ser filho, professor, "dono" de casa, namorado.... enfim, um monte de outras atividades e adivinha o que vai me faltar? T-E-M-P-O. Cinco letrinhas que tornam a minha vida mais curta.
Falando sério, acho que as pessoas deveriam vir com manual de instrução e lá na página 27 tinha que estar escrito algo assim: Tempo para o culto ao ócio vai diminuir drasticamente e você sentirá falta do tempo em que você achava a vida chata, paradona.
Ninguém me avisou que seria assim.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Ah o carnaval....

escrevo estas tortas linhas na terça-feira de carnaval e sendo assim ainda resta, tecnicamente, um dia (meio dia?) para o término do carnaval...
E o que foi esse carnaval hein? Eu diria que foi uma tentativa de carnaval pois a chuva me impediu de pular nos blocos como eu gostaria de ter feito. Os mais céticos (ou mais resistentes) dirão que é frescura da minha parte não querer ir para bloco chovendo e coisa e tal, mas reafirmo: chovendo eu não vou.
Eu até tentei curtir, confesso! No sábado de manhã eu fui ao Céu na Terra, na maior expectativa (até porque esse bloco é na mesma hora do Bola Preta, que eu compareço fielmente desde 2005). Infelizmente eu posso dizer que não deu muito certo.
Parte do fracasso do bloco (fracasso para mim viu??) se deu por conta das ladeiras intermináveis de Santa Teresa!!! Impressionante!!! Fizemos uma caminhada de respeito! E para nossa surpresa o caminho do bloco foi justamente o trajeto que nós fizemos para chegar até ele... ninguém merece.
Outro aspecto importante foi o sol, digno do Senegal, que fez no sábado. Ué? Estranho eu reclamar disso né? Lá em cima eu falei da chuva, agora reclamo do sol... tsctsctsc
O que me restou então? Ver filmes... e foram vários... o Gansgter, A culpa é do Fidel, Eu sou a lenda e Onde os fracos não tem vez. Recomendo todos... depois posso escrever o que achei deles.
Enfim.... esse carnaval ficou marcado para mim por uma frase dita no meio do Céu na Terra. No empurra-empurra que o bloco virou um folião resumiu numa frase o sentimento de todos naquele momento: "Isso não é um bloco, é um tetris humano!"
Abraço!

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aquelas coisas....

engraçado.... é impressionante como nós somos, muitas das vezes, obrigados pelo nosso meio a gostarmos de uma coisa ou de outra. Por exemplo: a galera que fez cinema TEM que gostar de alguns clássicos e abominar outros. Os historiadores TEM que gostar de Marx, SER de esquerda e ODIAR os Estados Unidos. Ou ser exatamente o contrário disso. Quem gosta de música nacional DEVE amar a mpb embora considere o João Gilberto um saco.
As pessoas gostam de rótulos. Tanto para usar quanto para colocar nos outros. E o engraçado é que não tem meio termo: ou se É ou não É.
Pensando nisso vasculhei a internet hoje, mais precisamente o limewire para baixar umas músicas de jazz, pois é muito comum as pessoas falarem que jazz é uma maravilha e coisa e tal... e eu para esconder a minha ignorância apenas balanço a cabeça.
Acredito ser "feio" (perante um determinado círculo de pessoas) desconhecer grandes músicos como John Coltrane, Miles Davis e uma galera desse naipe. Portanto lá fui eu atrás de um álbum chamado "A love supreme" do supracitado John Coltrane.
Comecei a ouví-lo esperando uma revolução musical aos meus ouvidos, semi virgens para esse tipo de som. Ao colocar a música no media player me deparo com o seu tamanho, cerca de 18 minutos. Começo a ouvir....
Primeiro um solo de bateria onde destaco os pratos... como o baterista os usa! toda hora tem um som de "Plash", tumtumtum... "plash"..... caramba! Depois de uns 5 minutos só de bateria entra o sax do John Coltrane. Um sax triste, parece que o cara tomou todo o whisky do mundo, terminou com a mulher e descobriu que o melhor amigo passou os últimos 5 anos roubando seu dinheiro. Muito triste. Depois de mais uns 5 minutos de sax, volta a bateria para uns últimos plash e tumtumtum.
Estranho. Esperava me tornar um novo homem após essa experiência, mas sigo o mesmo. Hum... das duas uma: ou não entendi nada, ou achei tudo um saco.
Mas mesmo assim darei uma outra chance ao jazz.... que venha o Miles Davis.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Ignorância

Estou há muito tempo sem escrever e parte da culpa eu já encontrei: tenho andado pouco de ônibus e assim perdi o contato com as miudezas do cotidiano. Porém é incrível como um pulo na pastelaria do chinês pode mudar essa situação.
Após um dia extremamente chato, sentado em frente ao computador ouvindo música, sinto uma fome de 3 mendigos e por conta disso resolvo dar um pulo na pastelaria.
Na esperança de engordar menos peço um joelho de ricota e um refresco de maracujá (daqueles bem amarelos, sem nenhum pingo de corante, enfim....). Tudo transcorria de maneira normal, até um cara, com uma criança, parar ao meu lado e pedir um pastel.
Pedido feito, ele pergunta:"Tem banheiro aqui?" e diante da negativa da atendente ele entra em fúria. E aí o meu problema começou....
"Como aqui não tem banheiro?? Ei, você é chinês? Aqui é um país limpo, onde as pessoas tomam banho todos os dias sabia? Aqui não é a China, Paquistão (?), nem nenhum lugar desses!!! Aqui não tem Mao Tsé Tung, Nanquim nem nada disso! Vou mandar fechar este lugar!" Quanto mais o cara gritava, mais eu me concentrava para não ouvir nada... na boa, sou praticante de Kung Fu, leitor de provérbios chineses, admirador da cultura chinesa, sigo preceitos budistas.... foi demais até para o Buda! E eu estava quieto, quando....
"Ei você? Não fala nada? Você acha certo esse lugar não ter banheiro?" Cutucou onça com vara curta.... apenas respondi: "Meu amigo, se você não está satisfeito, vai embora. Tem um monte de lugares com banheiro aqui perto. E acho uma covardia você falar dessa maneira e nesse tom com os meus colegas. Além do mais, você está destratando a cultura deles." E ele respondeu: "São seus colegas? Você é chinês? Sino brasileiro?" E eu: "Sou apenas um admirador da cultura chinesa. Você sabe o que é xenofobia? Seu comportamento se assemelha a de um xenófobo". O cara muito mais calmo querendo passar um ar de superioridade, disse: "Sou uma pessoa muito culta. Viajei França e Bélgica." Só me restou dizer: "Então volte para lá. Seu lugar não é aqui. E outra coisa, se as suas palavras não são melhores que o silêncio, mantenha o silêncio".
Neste momento ele olha para trás e percebe um aglomerado de pessoas, todas de terno olhando para essa cena ridícula.... e ele disse: "Me dá um pastel por favor. De queijo."
Voltei para casa pensando nessa situação. É incrível como em pleno século XXI, no Brasil, ainda exista gente com um pensamento tão pequeno, tão mesquinho. Espero que ele tenha uma infecção intestinal com o pastel.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Esqueletos no armário

Uma das coisas que mais gosto de fazer é observar o comportamento humano. Adoro ficar sentado olhando para as pessoas enquanto elas executam tarefas do dia-a-dia e antes que me rotulem de voyer, me inspiro em Chico Buarque e afirmo: sou um vedor.
Neste último ano acrescentei mais uma característica à este minha prática. Agora observo os casais, especialmente como eles se comportam em determinadas situações, sejam elas embaraçosas ou não. Não me rotulem de fifi ou de fofoqueiro... isso seria monosprezar um dom, minimizar a arte da observação.
No exercício desta atividade, tenho percebido que a grande maioria das brigas, que muitas das vezes levam à separação, ocorrem por basicamente dois motivos: o primeiro é a conhecida falta de comunicação e a segunda eu estou chamando de esqueletos no armário. As duas são formas estúpidas de se terminar um relacionamento e neste ponto cito Nelson Rodrigues: "A única coisa capaz de encerrar um relacionamento é a falta de amor".
Sobre os problemas de comunicação entre os casais não pretendo levar adiante pois muito já foi escrito acerca disso. Vou me concentrar no segundo ponto.
Brigas entre casais é algo cada vez mais comum visto que o nível de tolerância beira zero. E nestas brigas é muito comum um dos dois aceitar ou ainda engolir todas as besteiras que está ouvindo, só para manter a "harmonia" do casal. Acredito que esses sejam os tais esqueletos no armário.
Um briga o outro aceita sem reclamar. Brigam novamente e silêncio do outro lado. Problemas não resolvidos se avolumam e uma hora transbordam e quando isso acontece temos basicamente duas situações: a primeira é o susto de quem sempre falou e nunca ouviu, pois nunca pensou que o outro fosse capaz de dizer tudo aquilo e a segunda é a mais curiosa. A pessoa que sempre aceitou tudo normalmente tem a incrível capacidade de se lembrar de todas (ênfase no TODAS) as vezes que eles brigaram e começa a revirar o baú de memórias (e quanto maior o tempo juntos...). O que vem à tona não se mostra muito bonito e não raro, terminam.
Eu, mero vedor, encontro a todo momento este tipo de situação e todas as vezes que me defronto com alguém reclamando do seu par, encho o peito, conto até dez e digo pra mim mesmo: "Não seria muito melhor dizer na hora que algo não estava legal, ou que certa postura não agradou?" Enfim.... sempre digo que relacionamentos são fáceis, nós é que complicamos.

sábado, outubro 20, 2007

Dia do Mestre

O dia do mestre já passou, dirão os mais céticos. Isso eu sei. Mas que culpa tenho eu se somente hoje me senti a vontade de escrever sobre o assunto? E o que me fez escrever foi um ato de um aluno meu, que resolveu me presentear por esta data.

Este fim de ano está sendo particularmente estranho e sei muito bem o motivo disso. Este foi o primeiro ano de minha carreira que me dediquei exclusivamente à sala de aula. Nos anos anteriores sempre tinha alguma atividade paralela e por conta disso não era possível ter uma real definição de "fim de ano". 2007 está sendo diferente.

Chego ao final do ano esgotado. Sim, estou cansado demais. Nunca em minha vida trabalhei tanto quanto este ano e para minha alegria, foi o tempo todo em sala de aula. E o mais curioso disso tudo é que, mesmo no fim do ano, quando estamos mais cansados, ainda temos forças para seguir adiante com a nossa batalha diária. E os culpados por esta energia extra são nossos alunos.

No decorrer desta semana eu recebi várias mensagens de alunos meus me parabenizando pelo dia do mestre. Tudo isso é muito gostoso, dá um ânimo, um ar de renovação. Parece que daqui até o fim do ano, tudo sérá perfeito. É verdade que também ouvi umas barbaridades: "Hum, você quer parabéns pelo dia do mestre? Você nem tem mestrado." Mas para asneiras como essa, não tenho ouvidos.

Para finalizar este papo gostaria de deixar aqui um grande abraço à todos os meus alunos, inclusive a aluna que me disse a besteira acima, pois um dia ela vai perceber a merda que disse e mentalmente me pedirá desculpas. Aos meus queridos o meu muito obrigado! Tenham a certeza de que sempre poderão contar comigo para o que der e vier e saibam que a vida de um professor só tem sentido quando recebe um sorriso de um aluno. Mais uma vez, obrigado.

(Valeu Sérgio)