terça-feira, outubro 21, 2008

Descanso....

Acordei na segunda-feira com uma dor miserável na garganta, fruto de um sábado onde trabalhei mais do que devia. Embora tenha passado o domingo mudo, não consegui me recuperar para iniciar a semana. Parabéns Leonardo.... ganha um dinheiro no sábado e o perde na segunda...
Confesso que até tentei. Entrei em sala na segunda de manhã, dei algumas aulas, mas o corpo não respondia à cabeça e joguei a toalha. Chamem um substituto para as aulas da tarde. Coitado dele, aulas para turmas de fundamental.... enfim, cada um com o seu fardo.
Segunda pela tarde fiquei em casa... tirei um cochilo maravilhoso, vi filmes, jantei bem, tudo o que não faço normalmente. Secretamente desejei continuar doente. Na terça também não fui trabalhar e me dei o luxo de acordar tarde. Que maravilha! Acho que todo mundo deveria ter o DIREITO de faltar ao trabalho uma vez por mês e não ser descontado por conta disso! É saudável, faz um enorme bem para a alma.
Decidi dar um tempo no ócio e fui ao banco pagar umas contas (o engraçado é que os bancos estão em greve e na moral, isso não muda em nada a minha vida... coitado dos bancários, que por mim podem ficar em greve o resto da vida), comprar umas coisas no supermercado, dar um pulinho na farmácia.... essas coisas domésticas (afinal estou morando só e em breve escreverei sobre isso).
E foi nessa minha pequena incursão pelas ruas do bairro onde moro que vi uma cena que antes achava ser impossível de acontecer!! Da mesma forma que nunca soube de nenhum enterro de anão (pois eles quando morrem endurecem e vão para o jardim) e nem nunca vi um mendigo careca, eu vi travestis andando na rua de dia!!! Na moral, eu nunca tinha visto travestis pela manhã! Pode parecer inocência minha, mas fiquei espantado, pois sempre achei que os travestis só saíssem de casa a noite.
Confesso que já me peguei pensando o que os travestis fazem quando não estão nas calçadas ou se apresentando... tipo, coisas comuns como ir ao supermercado ou a banca de jornal... mas como nunca tinha encontrado um, achei que isso era impossível. Mas não é. Ai ai.... isso que dá morar na Lapa....

domingo, junho 22, 2008

Fragmentos

acho que acordei mas não quero abrir os olhos. Permaneço com a dúvida. Adormeço. Acordo e abro os olhos. A claridade me incomoda e fecho os olhos novamente até me acostumar. Minha cabeça dói e tento me lembrar o motivo disso. Meus dedos fedem a cigarro barato. A boca está seca... os lábios colam um no outro. Abro os olhos e vejo que estou em casa e sozinho. Melhor assim. Menos explicações.
Tento me levantar e tudo gira. E como gira. A dor de cabeça é acompanhada por um enjôo. Caio. Tento fica em pé novamente. Uso a mesinha como apoio e torço para ela não escorregar no piso frio. Estou nu. As roupas emboladas no chão demonstram alguma pressa em me livrar delas. As pego, cheiro minha camisa. Cigarro e bebida. A noite desse ter sido longa.
Caminho para o chuveiro. Acendo o fogo e preparo um chá. Separo o analgésico e algo para o estômago. Entro no banho e deixo a água cair. Foda-se a economia de água. Bebo a água do chuveiro. Um, dois, doze, quinze goles. Me sacio.
Saio do chuveiro. Me enrolo na toalha. Descalço, pego o chá. Carqueja. Caminho para a sala. Olho o jornal. Leio sem querer ler. Não quero saber de nada.
Deito no sofá. O celular toca. Do outro lado perguntam se estou bem. Balbucio qualquer coisa. A pessoa do outro lado diz que está vindo e trará um engov. Desligo essa merda. O som dele me dói a cabeça.
Deitado no sofá repasso os compromissos do dia. Não quero fazer nada disso. Fecho os olhos e tento lembrar da noite anterior. Amnésia alcoólica é uma merda.
Casa. Festa. Pessoas que não conheço. Bebida. Música. Velas espalhadas pela casa. Vai dar merda, penso. Mais bebida. Cigarros. Hoje não tem maconha. Melhor assim. Mais pessoas. Papos chatos. Varanda. Outra pessoa. Conversas. Sobre tudo e o nada. Troca de olhares. Boca. Cabelo. Mãos. Carícias. Mãos. Braços. Bocas. Corpos. Bocas. Cabelos. Força. Carinho. Despedida.
Entro no carro. Cuidado na hora de sair. Sem batidas. Sem documento. Sem confusão. Preciso comer. Lapa. Qualquer besteira. Carro. Casa. Garagem. Porteiro diz algo sobre beber e dirigir. Casa. Roupa. Cama.
Acho que foi isso. Espero que tenha sido. Sem nomes, sem lugares, sem compromissos. Logo, sem arrependimento.

quinta-feira, maio 22, 2008

Teremos jeito?

As vezes me pergunto se o Brasil teria jeito e quando digo isso penso na corrupção, na falta de educação, má distribuiição de renda... enfim, esses males que nos cercam.
Na manhã de quarta feira eu fui chamado em um dos colégios que trabalho para substituir um colega que tivera um problema. Até aí tudo normal.
Saí de casa mais cedo do que o comum e enfrentei um engarrafamento violento e aí começaram os meus problemas....
Estava naquele ritmo: primeira marcha, segunda e freio.... primeira marcha, segunda e freio novamente... ou seja, uma merda. De repente consegui engatar uma terceira e no meu afã de querer chegar logo acelerei mais..... o trânsito parou e fui obrigado a frear bruscamente. Até aí tudo normal, até que escutei um barulho na minha traseira: uma moto bateu em mim.
Abri a janela e procurei entender o que tinha acontecido e logo percebi um motoqueiro no chão e sua acompanhante também.... e ela levava a mão ao joelho. Quando pensei em sair do carro e ver o que tinha acontecido, o motoqueiro colocou sua mulher na moto e saíram correndo, evitando um possível problema, pois eles tinham amassado a lataria do carro. Merda.
Procurei esquecer e fui trabalhar. Na tarde desse mesmo dia fui num desses "Rei dos Amassados" com o intuito de consertar a lataria e me surpreendi com a figura que me atendeu. Tratava-se de um cara novo, coberto de peças de ouro e jeito de malandro. "E aí doutor? Como posso te ajudar?" Estranhando uma aproximação como essa, respondi: "Um motoqueiro deixou um joelho na minha lataria... queria fazer um orçamento. Quanto você me cobraria para consertar isso?"
Confesso que esperei um valor absurdo. E ele disse: "É um lance complicado, foi num lugar difícil... (já repararam que ninguém diz que o trabalho é mole, tranquilo... tudo é sempre muito difícil.....) vai ficar em 250 reais." Achei caro, mas dentro do que imaginava, mas mesmo assim contei aquela história triste... "Poxa, esse é o seu preço final? Sou professor, sabe como é...." E ele emendou assim: "Bem, posso fazer por 200 e você paga em duas vezes no cartão." "Ótimo, respondi.... mas vou pagar à vista mesmo."
Achei que estava tudo resolvido, quando o "malandro" se aproximou novamente. "Leonardo né? Bem, sabe como é.... amanhã é feriado..... enfim, podemos fazer um negócio. Vou te cobrar 110 reais e você me arruma 50 pratas por fora... pode ser?"
Nesse momento eu pensei em tudo que pregamos em sala de aula.... a manutenção da honestidade, a defesa dos valores, combate à corrupção..... e disse: "Combinado!"
Caro leitor, ficou surpreso com a minha resposta? Mas ela tem um motivo bem simples. Imagine que eu diga não ao cara, que eu prefiro pagar duzentos mesmo, que é o certo a se fazer e coisa e tal.... eu correria diversos riscos! Primeiro, se eu não pago o "por fora" eu correria o risco do cafa fazer um serviço de merda e ainda por cima ele poderia demorar a me entregar o carro! É mole? Sou "obrigado" a aceitar a corrupção sob pena de me lascar!
É impressionante..... nos tornamos reféns de um sistema viciado que deixa pouca margem para escapar disso. Lamentável...... e outra coisa... por que ele não pode cobrar os mesmos 110 reais sem levar nada por isso? Ah meu Brasil....

quarta-feira, abril 02, 2008

E ninguém me avisou

Em 2008 eu completei 27 e me aproximei da fantasmagórica casa dos trinta mas esse é o menor dos problemas. A vida de um jovem adulto ficou para trás e o mundo ganha a cada dia novos contornos, goste ou não deles.
Ter 27 anos é algo maravilhoso e ao mesmo tempo perturbador pois nós temos que tomar diversas decisões e muitas vezes não me sinto preparado para isso. O tempo passa cada vez mais rápido e a sociedade (querendo ou não) se encarrega de nos colocar na parede a todo instante.
Embora ainda viva na casa da mamãe (grande dona Maria Alice) já me sinto inundado com tantos compromissos, pricipalmente profissionais. Caralho! Ter que trabalhar é uma merda... a vida antes disso era muito mais simples...
Tenho gasto os meus últimos fins de semana atolado entre feituras de provas, correções, preparação de aula, material para aulas temáticas.... isso parece não ter fim. Quando converso com outros amigos que passaram por isso eles apenas me olham e dizem: Ih Léo.... vai ficar pior.
Como assim "ficar pior"?? Na boa, falta tempo para tudo! (eu nem deveria estar escrevendo no Blog.... eu tinha era que corrigir provas.... Ao inferno com as provas!!!!)
Mas eles têm razão... quando eu sair de casa as minhas tarefas aumentarão... terei que ser filho, professor, "dono" de casa, namorado.... enfim, um monte de outras atividades e adivinha o que vai me faltar? T-E-M-P-O. Cinco letrinhas que tornam a minha vida mais curta.
Falando sério, acho que as pessoas deveriam vir com manual de instrução e lá na página 27 tinha que estar escrito algo assim: Tempo para o culto ao ócio vai diminuir drasticamente e você sentirá falta do tempo em que você achava a vida chata, paradona.
Ninguém me avisou que seria assim.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Ah o carnaval....

escrevo estas tortas linhas na terça-feira de carnaval e sendo assim ainda resta, tecnicamente, um dia (meio dia?) para o término do carnaval...
E o que foi esse carnaval hein? Eu diria que foi uma tentativa de carnaval pois a chuva me impediu de pular nos blocos como eu gostaria de ter feito. Os mais céticos (ou mais resistentes) dirão que é frescura da minha parte não querer ir para bloco chovendo e coisa e tal, mas reafirmo: chovendo eu não vou.
Eu até tentei curtir, confesso! No sábado de manhã eu fui ao Céu na Terra, na maior expectativa (até porque esse bloco é na mesma hora do Bola Preta, que eu compareço fielmente desde 2005). Infelizmente eu posso dizer que não deu muito certo.
Parte do fracasso do bloco (fracasso para mim viu??) se deu por conta das ladeiras intermináveis de Santa Teresa!!! Impressionante!!! Fizemos uma caminhada de respeito! E para nossa surpresa o caminho do bloco foi justamente o trajeto que nós fizemos para chegar até ele... ninguém merece.
Outro aspecto importante foi o sol, digno do Senegal, que fez no sábado. Ué? Estranho eu reclamar disso né? Lá em cima eu falei da chuva, agora reclamo do sol... tsctsctsc
O que me restou então? Ver filmes... e foram vários... o Gansgter, A culpa é do Fidel, Eu sou a lenda e Onde os fracos não tem vez. Recomendo todos... depois posso escrever o que achei deles.
Enfim.... esse carnaval ficou marcado para mim por uma frase dita no meio do Céu na Terra. No empurra-empurra que o bloco virou um folião resumiu numa frase o sentimento de todos naquele momento: "Isso não é um bloco, é um tetris humano!"
Abraço!

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aquelas coisas....

engraçado.... é impressionante como nós somos, muitas das vezes, obrigados pelo nosso meio a gostarmos de uma coisa ou de outra. Por exemplo: a galera que fez cinema TEM que gostar de alguns clássicos e abominar outros. Os historiadores TEM que gostar de Marx, SER de esquerda e ODIAR os Estados Unidos. Ou ser exatamente o contrário disso. Quem gosta de música nacional DEVE amar a mpb embora considere o João Gilberto um saco.
As pessoas gostam de rótulos. Tanto para usar quanto para colocar nos outros. E o engraçado é que não tem meio termo: ou se É ou não É.
Pensando nisso vasculhei a internet hoje, mais precisamente o limewire para baixar umas músicas de jazz, pois é muito comum as pessoas falarem que jazz é uma maravilha e coisa e tal... e eu para esconder a minha ignorância apenas balanço a cabeça.
Acredito ser "feio" (perante um determinado círculo de pessoas) desconhecer grandes músicos como John Coltrane, Miles Davis e uma galera desse naipe. Portanto lá fui eu atrás de um álbum chamado "A love supreme" do supracitado John Coltrane.
Comecei a ouví-lo esperando uma revolução musical aos meus ouvidos, semi virgens para esse tipo de som. Ao colocar a música no media player me deparo com o seu tamanho, cerca de 18 minutos. Começo a ouvir....
Primeiro um solo de bateria onde destaco os pratos... como o baterista os usa! toda hora tem um som de "Plash", tumtumtum... "plash"..... caramba! Depois de uns 5 minutos só de bateria entra o sax do John Coltrane. Um sax triste, parece que o cara tomou todo o whisky do mundo, terminou com a mulher e descobriu que o melhor amigo passou os últimos 5 anos roubando seu dinheiro. Muito triste. Depois de mais uns 5 minutos de sax, volta a bateria para uns últimos plash e tumtumtum.
Estranho. Esperava me tornar um novo homem após essa experiência, mas sigo o mesmo. Hum... das duas uma: ou não entendi nada, ou achei tudo um saco.
Mas mesmo assim darei uma outra chance ao jazz.... que venha o Miles Davis.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Ignorância

Estou há muito tempo sem escrever e parte da culpa eu já encontrei: tenho andado pouco de ônibus e assim perdi o contato com as miudezas do cotidiano. Porém é incrível como um pulo na pastelaria do chinês pode mudar essa situação.
Após um dia extremamente chato, sentado em frente ao computador ouvindo música, sinto uma fome de 3 mendigos e por conta disso resolvo dar um pulo na pastelaria.
Na esperança de engordar menos peço um joelho de ricota e um refresco de maracujá (daqueles bem amarelos, sem nenhum pingo de corante, enfim....). Tudo transcorria de maneira normal, até um cara, com uma criança, parar ao meu lado e pedir um pastel.
Pedido feito, ele pergunta:"Tem banheiro aqui?" e diante da negativa da atendente ele entra em fúria. E aí o meu problema começou....
"Como aqui não tem banheiro?? Ei, você é chinês? Aqui é um país limpo, onde as pessoas tomam banho todos os dias sabia? Aqui não é a China, Paquistão (?), nem nenhum lugar desses!!! Aqui não tem Mao Tsé Tung, Nanquim nem nada disso! Vou mandar fechar este lugar!" Quanto mais o cara gritava, mais eu me concentrava para não ouvir nada... na boa, sou praticante de Kung Fu, leitor de provérbios chineses, admirador da cultura chinesa, sigo preceitos budistas.... foi demais até para o Buda! E eu estava quieto, quando....
"Ei você? Não fala nada? Você acha certo esse lugar não ter banheiro?" Cutucou onça com vara curta.... apenas respondi: "Meu amigo, se você não está satisfeito, vai embora. Tem um monte de lugares com banheiro aqui perto. E acho uma covardia você falar dessa maneira e nesse tom com os meus colegas. Além do mais, você está destratando a cultura deles." E ele respondeu: "São seus colegas? Você é chinês? Sino brasileiro?" E eu: "Sou apenas um admirador da cultura chinesa. Você sabe o que é xenofobia? Seu comportamento se assemelha a de um xenófobo". O cara muito mais calmo querendo passar um ar de superioridade, disse: "Sou uma pessoa muito culta. Viajei França e Bélgica." Só me restou dizer: "Então volte para lá. Seu lugar não é aqui. E outra coisa, se as suas palavras não são melhores que o silêncio, mantenha o silêncio".
Neste momento ele olha para trás e percebe um aglomerado de pessoas, todas de terno olhando para essa cena ridícula.... e ele disse: "Me dá um pastel por favor. De queijo."
Voltei para casa pensando nessa situação. É incrível como em pleno século XXI, no Brasil, ainda exista gente com um pensamento tão pequeno, tão mesquinho. Espero que ele tenha uma infecção intestinal com o pastel.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Esqueletos no armário

Uma das coisas que mais gosto de fazer é observar o comportamento humano. Adoro ficar sentado olhando para as pessoas enquanto elas executam tarefas do dia-a-dia e antes que me rotulem de voyer, me inspiro em Chico Buarque e afirmo: sou um vedor.
Neste último ano acrescentei mais uma característica à este minha prática. Agora observo os casais, especialmente como eles se comportam em determinadas situações, sejam elas embaraçosas ou não. Não me rotulem de fifi ou de fofoqueiro... isso seria monosprezar um dom, minimizar a arte da observação.
No exercício desta atividade, tenho percebido que a grande maioria das brigas, que muitas das vezes levam à separação, ocorrem por basicamente dois motivos: o primeiro é a conhecida falta de comunicação e a segunda eu estou chamando de esqueletos no armário. As duas são formas estúpidas de se terminar um relacionamento e neste ponto cito Nelson Rodrigues: "A única coisa capaz de encerrar um relacionamento é a falta de amor".
Sobre os problemas de comunicação entre os casais não pretendo levar adiante pois muito já foi escrito acerca disso. Vou me concentrar no segundo ponto.
Brigas entre casais é algo cada vez mais comum visto que o nível de tolerância beira zero. E nestas brigas é muito comum um dos dois aceitar ou ainda engolir todas as besteiras que está ouvindo, só para manter a "harmonia" do casal. Acredito que esses sejam os tais esqueletos no armário.
Um briga o outro aceita sem reclamar. Brigam novamente e silêncio do outro lado. Problemas não resolvidos se avolumam e uma hora transbordam e quando isso acontece temos basicamente duas situações: a primeira é o susto de quem sempre falou e nunca ouviu, pois nunca pensou que o outro fosse capaz de dizer tudo aquilo e a segunda é a mais curiosa. A pessoa que sempre aceitou tudo normalmente tem a incrível capacidade de se lembrar de todas (ênfase no TODAS) as vezes que eles brigaram e começa a revirar o baú de memórias (e quanto maior o tempo juntos...). O que vem à tona não se mostra muito bonito e não raro, terminam.
Eu, mero vedor, encontro a todo momento este tipo de situação e todas as vezes que me defronto com alguém reclamando do seu par, encho o peito, conto até dez e digo pra mim mesmo: "Não seria muito melhor dizer na hora que algo não estava legal, ou que certa postura não agradou?" Enfim.... sempre digo que relacionamentos são fáceis, nós é que complicamos.

sábado, outubro 20, 2007

Dia do Mestre

O dia do mestre já passou, dirão os mais céticos. Isso eu sei. Mas que culpa tenho eu se somente hoje me senti a vontade de escrever sobre o assunto? E o que me fez escrever foi um ato de um aluno meu, que resolveu me presentear por esta data.

Este fim de ano está sendo particularmente estranho e sei muito bem o motivo disso. Este foi o primeiro ano de minha carreira que me dediquei exclusivamente à sala de aula. Nos anos anteriores sempre tinha alguma atividade paralela e por conta disso não era possível ter uma real definição de "fim de ano". 2007 está sendo diferente.

Chego ao final do ano esgotado. Sim, estou cansado demais. Nunca em minha vida trabalhei tanto quanto este ano e para minha alegria, foi o tempo todo em sala de aula. E o mais curioso disso tudo é que, mesmo no fim do ano, quando estamos mais cansados, ainda temos forças para seguir adiante com a nossa batalha diária. E os culpados por esta energia extra são nossos alunos.

No decorrer desta semana eu recebi várias mensagens de alunos meus me parabenizando pelo dia do mestre. Tudo isso é muito gostoso, dá um ânimo, um ar de renovação. Parece que daqui até o fim do ano, tudo sérá perfeito. É verdade que também ouvi umas barbaridades: "Hum, você quer parabéns pelo dia do mestre? Você nem tem mestrado." Mas para asneiras como essa, não tenho ouvidos.

Para finalizar este papo gostaria de deixar aqui um grande abraço à todos os meus alunos, inclusive a aluna que me disse a besteira acima, pois um dia ela vai perceber a merda que disse e mentalmente me pedirá desculpas. Aos meus queridos o meu muito obrigado! Tenham a certeza de que sempre poderão contar comigo para o que der e vier e saibam que a vida de um professor só tem sentido quando recebe um sorriso de um aluno. Mais uma vez, obrigado.

(Valeu Sérgio)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Os nossos pedais

Ultimamente tenho andado preocupado com o tempo. Ele está passando tão rápido que nem tenho tido tempo para escrever alguma coisa por aqui. E vocês nem imaginam a falta que me faz parar para escrever um pouco. Desanuvia a mente sabe?

Há cerca de duas semanas eu fui na casa de um amigo comemorar o seu aniversário e nesta ocasião me reencontrei com outro amigo e com ele travei uma conversa que me deixou muito preocupado mas pelo menos serviu de assunto para este blog.

Este meu amigo está, de acordo com suas palavras, no olho do furacão e teme ser sugado, tamanha a quantidade de trabalho e coisas para fazer. Males do homem moderno. Fiquei pensando sobre o que ele havia me dito. Na semana seguinte à festa nos reencontramos. Novamente o assunto veio à tona e eu disse a ele: "Meu querido, a nossa vida tem três pedais. Tá na hora de pisar um pouco no do meio." Ontem passei boa parte da tarde pensando nisso.

Enquanto dirigia de volta para casa depois de dar aula das sete e meia da manhã até as cinco da tarde, pensava nos tais pedais. E cheguei a conclusão que igual à um carro, a nossa vida possui três pedais, a saber: o da direita é o acelerador, o do meio é o freio e o da esquerda a embreagem. Em nossas vidas devemos saber dossar o uso de cada um deles e aí reside o nosso dilema. (Parece filosofia de botequim.... mas que culpa tenho eu se passei uma parte considerável de minha vida dentro de um? Ou de vários? E dizem que o meio influencia o homem.... enfim...)

O pedal da direita deve ser usado nos momentos em que desejamos seguir em frente, tocar um projeto ou ainda quando mergulhamos de cabeça em alguma coisa. O do meio serve justamente para evitar que esse nosso mergulho termine de maneira trágica. Em outras palavras, devemos utilizá-lo quando estamos perdendo o controle de nossas vidas ou naquelas horas em que estamos tão "elétricos" que nem paramos mais para pensar. Ou observar a paisagem. E o último pedal, a embreagem, deve ser usada quando desejamos mudar o rumos de nossas vidas. Sabe aquela hora em que você chega em casa, larga a mochila sobre uma cadeira, caminha em direção à varanda e com os cotovelos apoiados na grade pensa: "Será que é isso que quero da minha vida?" Justamente. Esta pode ser a hora de pisar na embreagem. E nem precisa ser para fazer uma mudança radical não. Ela pode ser usada para avançarmos um pouco e auxiliar na aceleração ou ainda pode ser usada para dar uma reduzida. Sinceramente não sei onde pisar.

domingo, setembro 02, 2007

Começou setembro

Hoje abri o blog e percebi que a última vez que escrevi por aqui foi no dia 14 de agosto. Me senti na obrigação de atualizá-lo e sempre que vou escrever algo dou uma olhada no último post e no caso foi sobre um dia bem ruim....
Mas mudando de assunto... Este mês passou rápido demais, nem percebi. E o engraçado é que todos os dias eu escrevo a data no quadro e mesmo assim não consegui perceber a passagem do tempo. Isso pode ser um problema.
Falo isso por experiência própria. Mas pensem vocês um pouco sobre isso. O tempo realmente parece voar e nem nos damos conta que estamos deixando muitas coisas para depois. E este depois nunca chega.
Eu sou um deles. Ano passado larguei o mestrado, não consegui levar adiante por motivos diversos (e nem convém publicá-los num blog pois nunca se sabe o dia de amanhã) e ao começar 2007 disse para mim mesmo: "Ou recomeço o mestrado este ano, ou nunca mais". Estou com medo do nunca mais.
Sempre adiei viagens... e confesso que me arrependo severamente. Tive a chance de ir para a Bolívia, Venezuela.... e se bobear até Argentina... e o pior, iria com pessoas adoráveis.... viveria momentos únicos... e fiquei por aqui mesmo. Um misto de medo, insegurança e sei lá mais o que.
Sei lá mais quantas coisas adiei... e o tempo segue, implacável. Na semana passada (hoje já é domingo) comentei com os meus alunos que na idade média o tempo demorava a passar... embora o segundo naquela época tivesse a mesma duração que tem hoje... segui dizendo que no renascimento o mundo parece ter acelerado.... naquela época os homens buscaram uma nova forma de compreender o universo em que viviam e coisa e tal. Enfim.... hoje os homens ainda buscam responder várias perguntas e eu sigo procurando uma maneira de segurar o tempo.

terça-feira, agosto 14, 2007

Dia de cão

Acredito que todas as pessoas de minha geração (nascidas por volta do início da década de 1980) viram um filme estrelado por Michel Douglas (estrelado??) chamado "Um dia de fúria". Este filme é sobre um daqueles dias em que nada dá certo. Pois bem, o meu dia de fúria é hoje. 14 de agosto de 2007.
Acordo cedo, preocupado com as aulas do dia. Vou para o banheiro na esperança de um bom banho. A água não esquenta. Resultado: banho frio mesmo. Dia de cão 1 x 0.
Saio correndo de casa, pois na tentativa de fazer o aquecedor funcionar gastei muito tempo. Bato a porta e percebo estar sem a chave. Me tranquei fora de casa. Dia de cão 2 x 0.
Pego o carro na garagem, faço uma mini-bandalha para chegar logo a Radial Oeste. Erro o caminho e entro no viaduto em direção ao Túnel Rebouças. Este trajeto não tem retorno. Vou até a Lagoa, num trajeto pouco comum para quem se dirige à Taquara. Dia de cão 3 x 0.
Detalhe, o meu tanque de gasolina está na reserva e não sei se vai dar para chegar. Dia de cão 4 x 0.
Ufa, chego no posto e abasteço. Radial Oeste, 28 de Setembro, Grajaú-Jacarepaguá. Trânsito totalmente embolado e na pressa de chagar a algum lugar, destruo o retrovisor de alguém! Vou embora e nem dou assistência (me desculpe). Até chegar ao colégio fico olhando pelo retrovisor na esperança de ter escapado. Dia de cão 5 x 0.
Entro em sala, tema da aula: Governos Totalitários, mais especificamente, Fascismo. Termino a aula e nenhum aluno se manifesta defendendo o fascismo. Ainda bem. Dia de cão 5 x 1.
Intervalo. Saio para o lanche e vejo que não tenho nem um real para fazer companhia a minha carteira de motorista. Para minha sorte é a vez do professor de espanhol pagar o lanche. (Valeu Luciano!) Dia de cão 5 x 2.
Antes de entrar em sala sou chamado na secretaria. Assunto em pauta: Pagamento. Beleza!!! Dia de cão 5 x 3.
Por esta eu não esperava. Fui descontado em mais de 150 reais por ter faltado uma reunião de equipe. Detalhe é que fui na reunião, mas errei o horário. Cheguei as 15:00 h e a reunião era as 11:00 h. Dia de cão 6 x 3.
Transloucado entro em sala. Matéria do dia: Vinda da Família Real, Insurreição Pernambucana, Revolução Liberal do Porto e Independência do Brasil. Matéria pacas, mas consigo terminar. Ufa. Dia de cão 6 x 4.
Vou embora do colégio e sigo em direção ao estacionamento. Na hora de pagar vejo que não tenho dinheiro. Dia de cão 7 x 4.
Entro no banco. Nunca vi tanta gente numa fila só. Na hora de sacar digito R$ 10. A máquina só tem notas de R$ 20. Pelo conjunto da obra: Dia de cão 8 x 4.
Pago o estacionamento e vou para o carro. Parei embaixo de uma mangueira e uma manga podre encontrou seu jazigo no capô do meu carro. O pior ficou por conta das moscas "carpideiras", que não abandonaram o morto. Sorte minha que a viúva (uma manga espada?) não deu um daqueles ataques do tipo: "Me leva com você!! Eu te amo!!!" Dia de cão 9 x 4.
Chego em casa, meu irmão abre a porta reclamando que eu esqueci a chave e que se não fosse por ele eu não entrava e blá blá blá. Decido sentar no computador e escrever sobre isso, numa tentativa de expulsar os maus agouros.
Escrevo a crônica e clico em "Publicar Postagem". Logo depois clico em "Visualizar Postagem". Nada acontece. Perdi tudo o que escrevi!! (esta é a segunda vez que escrevo sobre o mesmo assunto. Saco.) Dia de cão 10 x 4.
Ainda são 14:09. Acho que vou deitar na minha cama e torcer para que o meu vizinho de cima (que é Dj) não tenha trazido trabalho para casa.

sexta-feira, julho 27, 2007

Velhos amigos

Caminhava entre as pessoas no metrô, numa tentativa de disfarçar o incômodo que este meio de transporte lhe causava. Tentativa fracassada. Levou a mão ao bolso, pegou a carteira e abriu. Entre vários papéis (inclusive bilhetes de cinema), sacou dois reais para comprar uma coca zero na máquina logo a sua frente.
O som da abertura da latinha não pôde ser ouvido por conta da chegada do metrô. Ainda não era o seu, pois estava voltando para casa e o que acabara de chegar ia rumo à zona sul. Começou a beber o refrigerante ignorando os conselhos maternos sobre a limpeza destas latinhas. A vida inteira (apenas 20 e poucos anos) ouvira isso.
Mais alguns instantes e o metrô chega. A latinha se encontrava na metade.
Não posso dizer que tenha entrado no vagão. Atirado seria mais adequado. Nestas horas sempre se lembrava do funcionário do metrô de Tóquio, cuja função era comprimir as pessoas no vagão. Substituo atirado por comprimido.
Ao iniciar o movimento, conseguiu ajeitar o corpo e tomava cuidado com as suas mãos, pois lembrava das palavras de uma antiga inspetora de colégio, que dizia que era feio ficar esbarrando nas mulheres em locais públicos. Ainda bem que descobrira que elas gostavam disso, mas desde que acorresse com o consentimento.
Durante o longo tempo entre o Largo do Machado e a Afonso Pena tudo o que lhe restava era olhar para os lados, em busca de sei lá o que. Nesta busca incessante, vislumbrou um grande amigo da infância, aqueles amigos que não deixaram um telefone ou um endereço. Amigos invisíveis.
Começara a corrida dentro do vagão. Após muitos esbarrões (e ao fazer isso mentalizava um formal pedido de desculpas) se aproximou do amigo justamente na hora que ele saía do vagão. Ainda tentou levar a mão ao seu ombro, mas foi impedido por uma senhora que entrava, carregada de bolsas num vagão já cheio. A porta se fechara e ele fracassara.
Duas estações depois saiu do vagão e um pensamento lhe pertubava a cabeça. "Será que o amigo lembraria dele?"Logo ele, que havia passado o colégio em branco, não tinha se destacado em nada. No redemoinho de pensamentos e lembranças que agora invadiam sua cabeça, seguia para casa, achando-se um covarde.

sábado, julho 14, 2007

Vontades

Engraçado... cheguei em casa hoje com uma vontade estranha e ao mesmo tempo muito simples: queria escrever. O mais estranho desta história é que não tenho nada para dizer e antes que você pense que esta é mais uma crônica sobre o não escrever, eu afirmo: esta é uma crônica sobre o não escrever.
Desde o início da minha adolescência (e eu acho que virei adolescente aos 15 anos) tenho por hábito escrever e sempre fiz isso nas horas mais chatas do dia, como as minhas aulas de física e matemática no colégio ou nas aulas de história da américa na faculdade ou ainda nas aulas de história e historiografia da medicina no Brasil no mestrado (me arrepio só de lembrar).
Eu escrevia motivado pela seguinte crença. Vou colocar os meus problemas no papel e depois que terminar, jogo o papel no lixo e junto os meus problemas. Quando eu tinha 15 anos era fácil. Aos 18 passei a fazer terapia. A boa notícia é que tive alta aos 22.
Logo a minha escrita se desviou dos meus problemas para coisas do meu cotidiano, que se resumia a estudar, namorar e trabalhar (bons tempos em que não tinha contas a pagar). Desta forma escrevia sobre relacionamento, sexualidade e problemas menores no trabalho. Nada demais.
Em 2006 abandonei o mestrado e com ele as aulas chatas, momento dedicado à escrita e às crônicas que enchiam o meu caderno (queridos professores, me desculpem. Ou não). Minhas crônicas ficaram órfãs e parei de escrever.
Hoje não tenho mais as aulas chatas, só as que eu mesmo dou e nelas não posso parar para escrever. Sendo assim me restam os momentos em frente ao computador e quando bate uma puta vontade de escrever, preencho algumas linhas com algo que eu queira dizer. Pronto. Acho que só queria dizer isso.

terça-feira, julho 03, 2007

Humpf

acho que a minha mensagem do dia neste blog poderia ser uma espécie de comunicado.
"Venho por meio desta comunicar a morte deste blog. Sua causa mortis foi a mesma que nos tirou deste mundo o neurônio da mulher loira: Solidão."
hum.... acabou de me ocorrer que eu nunca escrevi visando leitores. Assim, devo estar escrevendo no lugar certo! Um abraço para todos os meus não leitores!

quinta-feira, junho 21, 2007

O (doce) despertar

Segunda pela manhã sou acordado pelo som musical do despertador do celular. Abro ele e vejo escrito: "soneca". Aperto um botão qualquer e garanto mais dez minutos nos braços de morpheus. O curioso foi que no quarto ao lado o despertador também tocou.
Pouco tempo depois escuto novamente o mesmo som. Dez minutos haviam se passado e eu realmente tenho que me levantar. O dia me chama, embora eu não queira lhe dar atenção. E no quarto ao lado o despertador toca novamente, deixando claro que me vizinho de quarto também fez uso da tal "soneca".
Ando pela casa ainda escura sem acender nenhuma luz, percorrendo um trajeto que se mantém o mesmo há mais de 15 anos. Ligo o aquecedor na esperança de um bom banho e enquanto giro a torneira buscando a temperatura ideal, a minha mente faz uma longa viagem até os meus primeiros anos de colégio.
Pode parecer estranho, mas até hoje me lembro da primeira vez que coloquei os pés no Pedro II. Isso aconteceu em março de 1987 (naquela época os colégios começavam as aulas em março e não em janeiro como os de hoje). Lembro-me de ficar agarrado ao corrimão, relutando em entrar na sala de aula, onde a "tia" me esperava. Esta minha luta com o corrimão foi interrompida pelo "tio" Ruy, que me dizia: - Vamos Leonardo, está na hora de você entrar em sala. A professora já está te esperando. Pronto, pelas mãos do "tio" Ruy (obrigado Bruna! Roubei esta frase de você) dei meus primeiros passos no meu último colégio.
A minha memória seguiu viajando no tempo e me lembro das vezes que a minha mãe entrou no quarto com o copo de leite morno na mão (é impressionante como somente ela sabe colocar o leite naquela temperatura) e me despertava com uma massagem nos pés, dizendo: - Filho, está na hora de levantar. Bons tempos aqueles.
Algumas vezes eu sentava na cama, tomava o leite e voltava a dormir. Nestes dias minha mãe me vestia deitado e só me restava levantar, escovar os dentes e ir ao colégio. Mais nada.
Com o passar dos anos isso foi mudando, pois tinha que acordar cada vez mais cedo e a minha mãe nem sempre me acompanhava, embora sempre acordasse para me dar um beijo e dizer: - Tenha um bom dia.
Lentamente saio deste meu passeio pelas memórias e abro os olhos. Pela fumaça que preenche o banheiro percebo que a água está quente demais. Tomar banho aqui em casa está cada vez mais difícil. Saco.
Tomo um banho rápido, escovo os dentes, troco de roupa e vou em direção à porta. Olho para o corredor na esperança de receber aquele bom dia. Nada acontece. Fecho a porta, entro no elevador e meu celular toca, rompendo o silêncio. Olho para ele e vejo escrito: soneca. Saudades do copo de leite e da massagem no pé.

terça-feira, junho 12, 2007

Parece que acabou....

Sábado começa agitado e ao mesmo tempo estranho. Acordo tarde, fruto de uma sexta agitada, onde o sono demorou a me encontrar e cujo resultado carrego em meu rosto.
Show hoje a noite. A princípio o último de uma banda que amei, sem medo de ser feliz, nos últimos sete anos. O meu maior tempo de namoro (me desculpem as ex namoradas). Amor que começou por intermédio de uma amiga em comum chamada Ana Júlia, que passou como um furacão por mim... e depois da Ana vieram a Bárbara, Aline, Morena e um bando de outras mulheres e mesmo assim me mantive fiel.
Sábado. Noite. Combino com uns amigos o local de encontro. Parto rumo à Fundição e o meu desejo de encontrá-los antes cai por terra. Resultado: nos encontramos lá dentro, onde a cerveja custa inacreditáveis R$ 4,0. E o pierrot chora.
Confusão, burburinhos.... gente, cerveja, música ao fundo e no telão show do Rappa. Mistura de ritmos, cheiros, gostos. Ainda faltam 2 horas para o início do fim.
Primeiros acordes.... são lentos e preparam o público para o que viria depois: um puta show, onde acredito eu, ninguém pôde sair reclamando.
Fim de show, bis, mais quatro músicas que parecem dizer o seguinte: muito obrigado, te conhecer foi muito bom, diria, inesquecível. Mas acredito não ser possível continuarmos juntos... vou te amar para sempre e espero que você guarde apenas os nossos melhores momentos. Até um dia desses.
E eu só tive tempo de dizer um "então tá", forçado e entre os dentes.

terça-feira, maio 29, 2007

Coração alvinegro

O menino no domingo já acordava sabendo como seria o seu dia. Café da manhã bem gostoso, embora não fosse farto, leitura do jornal em companhia com sua mãe, momento que ela gostava de aproveitar para perguntar ao filho como ia na escola. O garoto tinha acabado de entrar na classe de alfabetização e assim estava descobrindo um novo mundo, muito além das fotos do jornal.
Por volta do meio dia era a hora do almoço e neste momento o pai fazia questão de ter todos à mesa. Ele era o primeiro a ter o seu prato servido pela mãe. Finado o almoço, descansavam por volta de uma hora e depois saíam. O engraçado é que a comunicação se dava pelo olhar e o pai nem precisava dar ordens, pois tudo fazia parte de uma espécie de ritual: ir ao Maracanã ver o jogo do Botafogo.
O pai havia se tornado botafoguense por influência de seu próprio pai, o único português botafoguense de que se teve notícia. Assim, nada mais lógico que seu filho se tornasse mais um torcedor alvinegro, já que os botafoguenses só se reproduzem assim, geneticamente.
O menino esperara a semana toda por este momento e ele finalmente havia chegado. O Botafogo estava na final e o Maracanã estaria lotado, pois os dois finalistas tinham feito campanhas maravilhosas e as torcidas estavam empolgadas. Tudo corria perfeitamente.
Pai e filho saem de casa e caminham em direção ao estádio e tudo seguia como se estivesse planejado. O menino seguia o pai, passadas apressadas, pois o tamanho de suas pernas é diminuto ainda e o pai caminha com a segurança de um campeão.
A chegada ao Maracanã é emocionante! Aquela gritaria, aquele agito, aquela energia! O menino fica ainda mais empolgado, animado! Que dia, que dia!
O pai coloca o menino nas suas costas, na intenção de livrá-lo dos choques da entrada do estádio. Passada a roleta, começa a subida pela rampa onde policiais solicitam que os torcedores levantem suas camisas, apenas para se certificarem de que tudo correrá bem.
No fim da rampa, um chamego no busto de Garrincha seguido de um pedido, quase uma súplica: "Dá uma força daí mané!" Feito isso, entram logo e buscam o lugar de sempre. Pai e filho sempre sentaram no mesmo lugar, como se no cinza do concreto eles pudessem ler seus nomes. Juntos, aguardam a entrada dos times e o início do jogo.
O jogo é emocionante! Como diriam os locutores esportivos, é um jogo "lá e cá". Fim do primeiro tempo e o Botafogo está em vantagem, ganhando por 2 gols de diferença. Tudo caminhava bem, até o segundo tempo, quando começou a tragédia.
Logo no início o time adversário marca o primeiro gol. O segundo não demora a acontecer. Jogo empatado. No fim do jogo, falta na entrada da área. Pronto. Botafogo perde a final. 3x2.
O pai, que era a imagem da alegria no primeiro tempo, apóia os cotovelos nos joelhos e chora. Um choro silencioso... o menino também chora, meio que sem saber a razão de seu pranto, chora para acompanhar o pai.
A volta para casa é triste, restando apenas escutar os gritos de "É campeão" da torcida adversária. O domingo que começou maravilhoso termina de maneira melancólica.
A semana seguinte ao jogo foi decisiva na vida do casal. O menino presencia diversas brigas. Sua mãe apenas chora, quando seu pai bate a porta dizendo que nunca mais iria voltar. E nunca mais voltou.
Os anos passam e aquele menino cresce e se torna, ao seu tempo, pai também. Seu filho começa a crescer e passa a sofrer pressões para escolher logo um time. Este pai resolve levá-lo ao Maracanã.
Levar o filho ao Maracanã é como rever um filme há muito tempo guardado, pois este pai não pisava naquele estádio deste aquele fatídico jogo. No caminho para o estádio este pai repete, meio que sem querer, o mesmo ritual que vira seu pai fazer há muitos anos atrás. Acordam, leêm o jornal, almoçam, descansam e saem de casa. Chegam ao estádio, passam pela roleta, sobem a rampa, levantam a camisa e fazem um cafuné no Garrincha. Tudo igual.
Ao entrarem na arquibancada, o pai escolhe o mesmo lugar que costumava sentar, num misto de hábito e um desejo de voltar no tempo. O jogo começa.
O primeiro tempo foi igualzinho. Botafogo sai na frente. Este pai, achando que a história iria se repetir, quase que não vê o segundo tempo. Mas seu nervosismo vai embora logo no reinício da partida, quando o Botafogo faz mais um, assegurando a vitória e o título.
No fim do jogo mais um gol e o apito final. O glorioso se torna campeão.
Na confusão, entre gritos e pulos, este pai olha para o lado e seus olhos encontram uma imagem do passado ao cruzar o olhar com seu pai, sentado quase que no mesmo lugar onde eles estavam há anos atrás. O velho pai, ao olhar o filho, tem um choque. Senta novamente e leva a mão ao coração. O jovem pai permanece de pé, sem saber o que fazer. Após alguns segundos, que pareceram séculos, o velho pai levanta e sai do estádio, com a pressa de quem perdeu um título. O jovem pai, no entando, é retirado do transe por seu filho, quando este puxa sua camisa. O jovem pai senta, apóia os cotovelos nos joelhos e chora, um choro que estava guardado há mais de trinta anos.

quinta-feira, maio 17, 2007

Paralisia

Engraçado... estou sentando há mais de três horas em frente ao computador e não fiz nada de útil. Freecell, orkut, msn e músicas. Em suma, perdi três horas da minha vida e digo isso porque em teoria tenho muito o que fazer!
Tenho que preparar quatro provas, corrigir uns trabalhos, preparar umas aulas, estudar, ler uns livros, limpar o meu quarto e banheiro, lavar a louça.... e nada. Estou aqui. E confesso não ter vontade de sair.
Sou assim: quanto mais coisa para fazer, mais parado fico. Na faculdade esse era o meu dilema no fim dos períodos, quando ficávamos atulhados de trabalhos, textos, provas (sem contar o estágio e um eventual emprego). E não podemos esquecer da nossa vida pessoal! Namoro, família, contas e coisas assim. Saco. E eu sentado em frente ao computador, como se ele fosse resolver todos os meus problemas. Não, não vai.
Essa estática me consome. Fico de mau humor, sem paciência e cada vez mais parado. Passo a não gostar de nada e reclamo (me transformo na companhia mais desagradável possível). Dizem que isso é um sinal de depressão, mas acho que não, fiz três anos de terapia, tive alta, e não foi por causa disso (eu acho).
Olho para os lados como quem procura um apoio para levantar.... respiro fundo, tomo coragem e levanto, na tentativa de vencer a enorme vontade de continuar parado.

segunda-feira, maio 07, 2007

Amigos

Tem pessoas que passam pela sua vida e se tornam inesquecíveis, mesmo tendo sido o encontro um mero e honesto "oi". Outras pessoas entram e saem da sua vida e você mal consegue lembrar o nome delas. Ainda existem pessoas que entram e fazem questão de continuar, mesmo quando você vira para elas e diz: "tchau". E para finalizar existem os encontros perfeitos, onde você não quer que a pessoa vá embora e mesmo quando num acesso de fúria você manda elas embora, elas sabem que devem ficar. Estes são seus amigos. E eu sou tudo com eles e nada sem eles... simples assim....